
Parte do antigo hospital da roça Agostinho Neto desmoronou. Um edifício de referência no desenho arquitetónico da roça, que na era colonial se chamava Rio do Ouro. Na década de 80 foi a maternidade central do país.
Milhares de são-tomenses, sobretudo os nascidos durante a década de 80 são naturais do distrito de Lobata, por causa do hospital de Agostinho Neto, que na altura estava especializado para receber todas as mulheres são-tomenses e não só, em serviço de parto.
O histórico hospital colonial, a histórica maternidade pós – independência que viu nascer boa parte dos são-tomenses, está a morrer.
O edifício que foi referência em qualquer fotografia do terreiro da Roça Agostinho Neto, realçava o desenho arquitetónico singular daquela que foi a maior roça de São Tomé e Príncipe.
Logo a seguir ao falecimento do Primeiro Presidente e Herói nacional de Angola, Agostinho Neto, em 1979, as autoridades são-tomenses decidiram honrar e imortalizar a figura histórica de Angola no arquipélago são-tomense, com o batismo da Roça de arquitetura majestosa do país, com o nome Agostinho Neto. Rio do Ouro ficou no passado.
O enorme antigo hospital se encaixa com o resto do terreiro da roça, criando um cenário que faz recordar os “Templos Budistas da Ásia”. Na última quinta – feira conheceu o seu segundo desmoronamento nos últimos 6 meses.
O último desmoronamento foi mais estrondoso. Toda a parte esquerda do hospital, ao que tudo indica uma das antigas enfermarias ruiu. «Medo demais porque dentro do hospital ficou só fumo. Já vivo aqui há cinco anos. Somos 12 moradores. Estou aqui porque não tenho onde viver. Jovens daqui estão a acabar com isso. Vêm de madrugada e arrancam barrotes, vigas etc», declarou uma habitante da Roça que vive na parte superior do antigo hospital.
As fendas e fissuras que se abriram no resto do edifício e testemunhadas, indicam que o resto do antigo hospital, vai tombar nos próximos tempos. As 12 famílias que encontraram abrigo na parte superior correm risco de vida.
Depois de ter sido a maternidade central de São Tomé e Príncipe durante a década de 80, o hospital da roça Agostinho Neto, funcionou na década de 90, como um centro hospitalar de referência num projeto financiado por Portugal.
O projeto de saúde terminou nos finais da década de 90, e veio o abandono paulatino, até o desmoronamento de hoje. Vozes políticas e não só, anunciaram que o edifício iria ser aproveitado como escola de formação, ou então como um hospital privado de referência. Foram palavras ao vento.
O vento precisamente, se encarregou de levar as palavras de ocasião, para muito longe, e ao mesmo tempo foi corroendo a estrutura do imponente edifício que as autoridades são-tomenses lançaram ao abandono.
Enquanto isso os habitantes da roça avisam que o pior está para vir. A estrada calcetada que liga norte e sul do quintal da roça, está em avançado estado de degradação. Um dia destes sobretudo com as chuvas de Março e Abril, pode acontecer um aluimento de terra e pronto, Agostinho Neto fica dividido em duas partes isoladas.


